terça-feira, 18 de setembro de 2007

PESSOAS QUE JÁ SE FORAM...



Eu vivo a tanto temp correndo atrás do prejuízo, que nem tenho tempo de pensar em nada nem em ninguém. Mas agora que tive um tempinho, me pus a pensar sobre pessoas que eu conheci e que por uma ou outra razão já se foram deste mundo.

Como um tipo de homenagem tardia, contarei resumidamente a história de Três deles:

LUIZÃO - Quando nos conhecemos, o cara era guardador de carros e ia muito bem. Tinha um temperamento interessante, com os amigos era um doce de pessoa que jamais dizia não. Com os desconhecidos era bem intolerante e violento. Era o tipo do cara que se visse alguém levantando o tom de voz com você, não perguntava nada e já vinha de voadora. Eu realmente me sentia mais seguro quando ele estava por perto. Tinha um p*ta senso de humor e era realmente uma figura popular aqui na cidade.

Mas como tudo tem um lado B, no caso do Luisão, era o fato de que alguns membros de sua família eram notórios traficantes e ele não resistiu muito tempo ao canto de sereia, sacumé, carinha de periferia, as facilidades de obter grana e moral traficando... E foi. Ele viveu uns anos na corda bamba, mas em uma tarde alguém entrou no boteco em que ele estava e despejou 5 tiros nele, que o mataram aos 18 anos de idade. Dizem os boatos, que foi guerra de tráfico.

PODRÃO - Skatista até talentoso, mas ele tinha muito mais talento pra confusão que para o skate. Ele era um notório valentão que saia batendo sem perguntar muita coisa. Eu nunca tive problemas com ele devido ao fato de eu ser um skatista da antiga, o que aqui gera um pouco de respeito por parte de todos. Ele também era um bom pegador de mulher, inclusive a dos outros, o que gerava mais tretas ainda. A morte dele (Com cerca da 20 e poucos anos) se deu sob circuntâncias ainda não muito bem explicadas, mas muitos dizem que foi algum tipo de vingança por mais uma treta que ele arranjou.

As fotos acima são da pista de skate de uma cidade do ABC paulista. Um dos obstáculos de lá tem o nome de Podrão, em homenagem ao skatista falecido.


TIO VALTER - Meu tio mesmo e uma forte influencia no meu caráter. Tinha um curioso código de ética que fazia com que ele fosse moralista e mulherengo ao mesmo tempo. Era um caminhoneiro por vocação, profissão que exerceu durante mais de 30 anos que tinha um dos mapas mentais mais completos que já vi em minha vida. Nunca aconteceu de eu perguntar sobre algum lugar e ele não saber como ir. Ele começou a morrer quando teve um infarte, o que o aposentou da carreira de motorista de caminhão tanque. Isso fez com que ele passasse a viajar até o Mato grosso para buscar cargas de madeira, como um ganho extra à sua aposentadoria. Em uma dessas viagens, o eixo do caminhão quebrou e ele foi lançado pra fora sendo atingido pelas toras de madeira. O momento em que eu soube de sua morte foi um dos piores de minha vida.


A todos eles os meus respeitos e votos de eterna felicidade onde quer que estejam. Suas vidas pareceram comuns, mas foram extraordinárias, e suas lembranças vivem no coração de todos os que os conheceram.

Um dia a gente se encontra e põe a conversa em dia.
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