segunda-feira, 11 de agosto de 2008

DOANDO ESPERMA



Eu queria fazer algo pelo mundo e ajudar as pessoas. Mas sou duro feito um mendigo, burro demais pra fazer alguma descoberta científica ou ganhar o Nobel de literatura e frouxo demais pra me alistar como soldado em alguma guerra. Ajudar o mundo dá trabalho pra burro.

Mas meus problemas exitênciais acabaram quando vi na internerd um anuncio de uma clinica que aceitava doação de esperma. Que maneira melhor de ser util do que bater punhagra para ajudar o proximo? Afinal eu já bati milhares de punhagras por muito menos! Creminho hidratante no bilau e mãos à obra! Eita! Até de trocadilho esse negócio é bom!

Doutrinado por anos de filmes em que aparecem cenas de doação de esperma (O antes e o depois, não o durante), onde há salinhas com videos de sacanagem e enfermeiras gostossas atendendo, e quem sabe, ajudando, enviei meu cadastro e esperei. Dias depois, recebi um telefonema me dando um endereço para exames preliminares. Exames? Ah. Vamos lá.

Chegando ao local, um falatório de fundo dominava um ambiente tipico de hospital. Me apresentei discretamente à recepcionista (falando baixo), afinal não queria dar bandeira de tão vexatório autruismo que eu pretendia praticar.

- Vim para o exame de doação de esperma.
- O quê?
- Vim para o exame de doação de esperma
- O quê?
- EU VIM DOAR ESPERMA CATZO!!!

Senti naquele exato momentoi que o falatório ao fundo parou. Olhei pra trás e uma centena de pessoas, incluindo algumas velhinhas e pelo menos uns três evangélicos me olhavam com uma expressão gélida. Dei um sorriso como se tivesse acabado de c@gar nas calças e me virei. vagarosamente. A moça da recepção, tenho certeza que só de sacanegem virou-se e gritou para o corredor atrás dela:

- ESTOU MANDANDO UM DOADOR DE ESPERMA PRA EXAMES NA SALA SETE!!! REPITO! DOADOR DE ESPERMA PRA EXAMES NA SALA SETE!!!

Naquele exato momento me tornei o poeteiro do local, todo mundo me olhava meio de rabo de olho, com certeza procurando manchas em minhas calças ou pelos em minha mão.

Depois de muito tempo de humilhação publica, fui chamado à tal sala sete e me pediram que vestisse uma daquelas camisolas que deixa o fiofó de fora. Logo a seguir, chegou o médico, que mais parecia um negão jogador de basquete e me olhando com expressão bem séria disse:

- Vire-se e prepare-se.
Balbuciei um tímido “não entendi”... Ao que o Médico retrucou:

- O unico exame obrigatorio para doação de esperma é o exame de próstata.

Naquele momento olhei a mão do cara...Amigo... Você já viu um dedo de 20 por 6 centímetros? Não? É dificil alguém ter né? Então por que p*rras logo o médico que ia fazer o exame em mim tinha de ter medidas manuais tão avantajadas? O dedo dele parecia uma berenjela. E das graúdas.

Já que não tinha jeito, virei, abaixei-me e aguardei meu destino, que veio na forma de estrelas. Várias estrelas das mais variadas cores, tons e tamanhos. Uma visita ao planetário teria produzido menos fulgor. Acredito que até mesmo a Via Lactea inteira tem menos estrelas do que as que eu vi durante o exame estoura cólon a que fui submetido. Não rolou nem sequer uma vaselina antes ou um beijinho depois. Foi na seca e cravado. Espero que ele não tenha esquecido a luva, pois com o tamanho que ficou a zona do agrião, ela jamais será encontrada. Fiquei com e sensação de ter um galpão aeronautico na bunda.

Andando com as pernas abertas e pontadas em lugares que nem sabia que conhecia, saí de lá com fama de poeteiro, várias pregas a menos e um papel de dando a data da “Coleta”.

No dia, cheguei no local e a recepcionista provavelmente me reconheceu, pois já sorriu e disse a plenos pulmões:

- Doação de esperma né? Aguarde ali por favor.

Cara, tinha um canto com sofás, uma mesinha de centro e uma placa indicando em letras garrafais “ESPERA DA DOAÇÃO DE ESPERMA”. Nada como um local discreto e nem um pouco vexaminoso para a gente esperar. Eu devia ter vindo com um saco de papel na cabeça, mas eles não são mais fabricados pois agora os supermercados só usam sacolinhas de plástico. Juro que senti inveja do pessoal carequinha e branquelo que estava no sofá onde uma plaquinha acima dizia “ESPERA PARA QUIMIOTERAPIA”.

Após mais de duas horas de olhares indiscretos dados pelas centenas de pessoas que estavam esperando e não iam doar esperma, fui chamado. Pelo nome completo. E a chamada começava assim DOADOR DE ESPERMA NÚMERO 3, Senhor... Só faltou dar meu RG e CPF. Escrever “Senhor Punhagra” em letras fluorescentes na minha camiseta seria menos escandaloso.

Fui conduzido até uma salinha, branca, lisa, asséptica. Lá fui “Equipado” com umas revistas pornôs dos anos 80 (Com mulheres não depiladas) um vidrinho intimidador, e papel higiênico. A pessoa que me forneceu a muamba era um enfermeira tão feia que aposto que era a madrasta da Branca de Neve na versão velhota. Antes de sair, a aberração me avisou que eu tinha exatamente 20 MINUTOS para levar a tarefa a cabo. Eu não me metia em uma situação tão broxante desde a vez em que. Adolescente, fui tentar ter minha primeira relação sexual e descobri no minuto derradeiro que a menina não gostava de depilação e nem de banho, e que tinha uma freada de bicicleta na calcinha. O Choque foi tão grande que só de lembrar, ainda hoje, meu pau já diminui uns 7 centímetros.

Bom... estava eu lá, pau na mão, pouco tempo, e sem inspiração. Tentei de tudo. As tais revistas, pensar em mulheres boas, pensar em mulheres ruins, pensar em animais, pensar em homem...Epa... Foi mal.

O fato é que passaram-se os 20 minutos. Uma outra enfermeira entrou na sala e não pareceu impressionada pela minha magistral broxada. Disse gentilmente que isso acontece muito. Recolheu a muamba e me levou até a saida do corredor na recepção

Quando eu já estava pertinho da porta, a gentil moça gritou lá de trás:

- NÃO SE PREOCUPE EM TER FALHADO NA DOAÇÃO DE ESPERMA, SEMANA QUE VEM O SENHOR PODE TOMAR UM VIAGRA E TENTAR DE NOVO!

Senti novamente que o burburinho da recepção parou. Novamente todo mundo olhando pra mim com a unica diferença que havia mais velhinhas e mais evangélicos dessa vez. E que os olhares eram algo entre a pena e o riso.

Depois dessa, se depender de mim, pra fertiliza-la pode crer que a humidade entra em extinção.

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