segunda-feira, 9 de novembro de 2009

CB 600 HORNET



Pra quem não sabe (Até porque eu não contei), recentemente eu comprei uma NX 350 Sahara em uma loja onde sou freguês a anos.

Comprei uma dessas. Booa!

Enquanto negociava, percebi que ali no canto tinha uma CB 600 Hornet ano 2007 (Modelo antigo), e perguntei se, caso eu comprasse a Sahara, poderia dar uma volta na Hornet. O dono da loja não viu porque não, e eu vi uma oportunidade de andar em uma das motos mais badaladas do momento, objeto de desejo de pobres, Peões, Playboys e Ladrões pelo Brasil afora, custando na casa de R$ 30.000,00 reais. Andar com uma dessas por aí é ter de desconfiar de tudo e de todos. Em caso de dúvida, acelere e suma. Não é paranóia não. Aquele negunho que ficou olhando muito a moto ia te roubar sim. E aquela menina bonita também, e aquele padre com as tres freiras também, e aquela velhinha com o andador também.

Gostou? Andei em uma igual.

Bom. Subo na bagaça e a primeira impressão que tive é de estar sentado em um tambor daqueles de 200 litros. A moto é larga paca pra um usuário de CG 125 como eu. Mas, não é pesada.

Imagino que aquele baita motorzão faça o centro de gravidade baixar facilitando a tocada, mas nem por isso a bichinha é leve. Move-la na base das pernas é dureza. Imagino que empurar um troço desses sem gasolina faz o sujeito pagar os pecados de umas três vidas, exceto se for o Zé Dirceu. Dai não paga nem de uma.

Ligo o motor e vem a primeira decepção. Ao invés do ronco grave e machístico que se espera de um motor quatro cilindros em linha, o que ouço é uma especie de zumbido. Só não fiquei mais decepcionado porque a subida de giro é absolutamente animal. Mal da pra controlar. Ese motor parece desafiar as leis de inércia gerando uma reação instantânea a qualquer toque no acelerador com a moto parada. Impressiona e tranca o c*.

Primeira marcha e vamos lá. Como em qualquer tipo de moto no qual ando a primeira vez, assim que tiro o pé do chão e começo a andar, tenho a impressão que vou me estabacar do outro lado, mas felizmente isso nunca aconteceu. Senti que o giro subia, mas não aquele pontapé na bunda que eu esperava. Não sei se é fantasia minha, mas o que eu esperava era uma arrancada digna de Dragster de 4000 cavalos. Não foi o que ocorreu. A roda dianteira nem subiu.

Assim que me equilibrei, tive exatamente a mesma sensação de quando pilotei uma CBX 250 Twister. Com a Hornet parada, a gente sente o peso, mas com ela andando, parece que estamos em uma Twister de 600 cilindradas sem tirar nem por. Só na hora de freiar é que quase voamos por cima do guidão e notamos que o freio traseiro não é a tambor, mas sim um p*ta discão que te joga la na esquina se você ficar vacilando. Em caso de emergência talvez não haja diferença clara entre o impacto de freiar com tudo e bater. Ambos te jogam longe.

Sério, juro. Nunca me senti tão bonito na vida. Todo mundo olha quando a gente acelera. Imagina se essa moto tivesse um ronco decente. Deve ser por isso que a maioria do pessoal que compra uma dessas troca o dito escapamento.

O potencial de conseguir mulher com uma moto dessas debaixo de você não pode ser ignorado.

Minha barriga incipiente, minha careca de Frei Franciscano, Meus óculos de 6 graus, Tudo isso perde importância diante do fascínio que uma moto potente e cara tem sobre as piriguetes.

Tenho certeza que com uma boa Hornet, bimbada é o que não vai faltar. Isso explica porque muito favelado rouba essa bagaça pra ficar bem na porta do baile funk da bocada onde mora. Essa moto é praticamente um Cartão Coito Express. Me senti praticamente um Adônis com penis de 37 centímetros. Desde o Tacape pré histórico, acho que não inventaram nada tão eficiente pra pegar mulher que uma moto de alta cilindrada.

Andando no transito, da pra sair cortando se sentindo um mega moto boy, e isso é necessário por duas razões: 1 - A Hornet é fácil de manobrar; 2 - Se ficar muito tempo parado, alguém te rouba.

Assim que o farol abriu, eu percebi que após uma pequena curva, poderia socar até as bolas, pois teria espaço para aceberar de verdade... Bom... 120 por hora em menos de 200 metros. Sem tremer, sem sustos e sem passar nenhum tipo de perigo. É... Na pior da hipoteses, isso é legal pra C*ralho, faz a gente se sentir uma espécie de Valentino Rossi de terceiro mundo. E faz curva muito bem também. Da vontade de andar o dia todo. Mas em um mundo lotado de radar, não sei se da pra aproveitar de verdade. E não da pra andar a 60 por hora com uma moto que atinge uns 90 em primeira marcha.

Mas essas boas impressões não mudam o fato que eu esperava mais de uma moto de 30 Paus. Em nenhum momento me assustei como esperava. Não houve o coice de mula na aceleração e nem a frenagem de carro do formula 1. O que eu senti mesmo foi uma CBX 250 bombada. Se esse fosse um pais decente, uma moto dessas não custaria mais de R$ 16.000,00 nova. Não porque é uma moto ruim (Muito pelo contrário), mas porque esse valor seria o justo para uma moto que não é uma super esportiva, apenas uma moto media de boa qualidade.

A simplicidade da condução (Qualquer um que ja tenha andado de CG pilota) já denuncia que é uma moto intermediária e não um topo de mercado. Apenas em um país como o nosso você se arrisca a tomar uma tiro andando com uma moto tão básica. Em paises mais evoluidos, motocicletas como a Hornet são comuns e com preços acessíveis, e não tem status de super moto. Com um monte de gente disposta a te dar um tiro nas fuças para ter uma.

Sinceramente, não digo que dessa agua não beberei, até porque gostei muito da Hornet. Mas acho que essa moto não vale pagar quase 30 paus, andar por ai com medo e se arriscar a ser morto por algum marginal na porta de casa. Isso se você não se matar em um acidente por aí, uma vez que hoje em dia, andar até devagar ja é perigoso, imagina em uma moto que da 200 por hora.

Mas uma coisa eu garanto. A Hornet não é exatamente a moto de rico que se diz que ela é. Se isso aqui fosse um pais sério, e se a Honda fosse uma empresa séria, a Hornet seria considerada apenas uma moto média com preço correto, e não uma Super moto com preço astronomico.

Ta na hora de o consumidor brasileiro rever seus conceitos sobre moto.

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