quarta-feira, 25 de agosto de 2010

TROPA DE ELITE RESENHA



 Resenha dada é resenha cumprida

Já tenho esta bagaça de filme guardada aqui no HD a algum tempo esperando o dia da resenha. Pois bem, este dia chegou. Aproveitei que praticamente reconstruí meu comptador após ele começar a dar panes de voltagem de processador (Troquei placa mãe, processador, dobrei a memória e enfiei uma Geforce AGP no bicho. Tudo novo – Lá se foi o salário deste Mês) e resolvi descobrir o porquê deste ter sido o filme nacional mais pirateado da história. Vejamos:

Tudo começa numa bocada dos infernos nas profundezas de alguma favela do Rio de Janeiro, onde esta rolando um baile funk com traficantes armados até os dentes e policiais petistas... digo, corruptos se encontrando pra fazer negócios que policias e traficantes não fariam se o mundo fosse perfeito. Aliás, estou pegando birra de carioca. P*rra, mas que tipo de gente vai em um baile que mais parece uma intentona no Iraque? Tava na cara que ia dar m*rda. Bom, nesse interim, dois manés honestos (Segundo o narrador Chuck Norris Nascimento), por razões que todo mundo ainda desconhece, mas que serão contadas futuramente, iniciam um tiroteio monstro, tipo daqueles que vimos no final do “Cidade de Deus” onde civis são baleados como se fossem terroristas da Al Qaeda ou galinhas do Zé Pequeno. Tá vendo como Funk faz mal pra Saúde? 

Pausa para observar o linguajar dos policiais. Eles e os traficantes disparam mais palavrões que balas. Se botar o vídeo em off e só deixar o som, não dá para saber quem é traficante e quem é Policia. O único que tem português minimamente inteligível é o narrador “Chuck Nascimento”, e isso porque o Wagner Moura provavelmente terminou o segundo grau antes de entrar pro teatro. Ou porque o roteirista achou que o Nascimento tinha no mínimo de parecer alfabetizado... ah dane-se!

Aliás, atirar sem mirar é a tônica aqui. Nem precisava correr tanto, os caras podiam sair andando da favela, na boa. É impossível que alguém acerte o que quer que seja com essa mira tosca. Não admira que tem tanta bala perdida no Rio, afinal se ninguém acerta nenhum alvo as balas tem de ir pra algum lugar né?

No meio da treta, chega o BOPE (Que se bem entendi é uma espécie de ROTA carioca) na quebrada, e o narrador que ainda ajuda Deus a viajar nas horas vagas, capitão Chuck Nascimento Norris se apresenta. Droga, não adianta, não consigo ver o Wagner Moura sem lembrar do papel de lesado que ele fez no filme “Deus é Brasileiro”. Começo a rir feito um retardado. Sobe os créditos, musica velha do Tihuana e vamos em frente.

Não sei se é o piratão que estou assistindo aqui, mas as legendas (Como as datas onde ocorrem os fatos) estão tudo em inglês. Imagino que para facilitar a exibição do filme em premiações e concursos internacionais, o que por si só já é um belo FAIL, uma vez que se bem me lembro, este filme não ganhou nenhum prêmio relevante (Salvo o de DVD mais pirateado do ano).

Corta pra outra cena em que os mano do BOPE sentam o dedo em uns policiais corrutos para que o Capitão Chuck possa chegar no aconchego de seu fuleiro lar lindamente decorado com o melhor que a Marabrás pode oferecer e ter um pequeno estranhamento com sua esposa peidorreira (como toda grávida), enquanto isso, uns manes que fizeram a cagada de entrar pra policia do Rio descobrem que na pratica do serviço público a teoria é outra, uma vez que prestaram concurso pra gambé, mas acabam trabalhando é de ½ oficial mecânico de calhambeque e assistente de arquivo Jr. Um balde de água fria em quem queria ser Rambo ou mudar o mundo. 



Fica claro neste momento que um desses idiotas seria o Novo Chuck Nascimento (Afinal, ele mesmo acabou de dizer isso na narração). Com tanta roubada logo no primeiro dia, fica difícil combater o crime. E já que já sabemos que os dois idiotas entraram em tiroteio, se f#deram na policia e ainda vão ser Capitão do BOPE um dia, nada mais justo que contar as historias de ambos. Assim descobrimos que o Matias, como nasceu preto e pobre estudou pra KCT e entrou pra faculdade acreditando em um mundo ideal e na perfeição da justiça, o que é estranho uma vez que quem nasce preto e pobre já aprende desde moleque que o buraco é mais embaixo e que justiça é adereço de branco rico. Então, ou o Matias era um burro estudioso (!) ou era um alienado que beira a insanidade. Belo perfil.

Nessas o PAPA resolve ver o morro onde o Michael Jackson gravou aquele clipe e o BOPE é que vai ter de se virar pra evitar que sua santidade seja canonizado prematuramente. Enquanto isso, o Matias mostra que apesar de estudioso, é burro mesmo e resolve visitar um morro no qual eu não iria nem amarrado (Talvez seqüestrado, quem sabe) pra fazer um pano com a gostosinha da classe. Já na quebrada, descobre estar cercado de maconheiros ricos e bem intencionados. Como de boa intenção o inferno ta cheio, eu prevejo que em algum momento vai dar m*rda. Aliás, é uma contradição muito natural de nossa sociedade que o Boyzinho que sobe pra favela pra ajudar o pobre é o mesmo que compra maconha do traficante que oprime o pobre. Coerência? Ah, deixa isso pra quem tem conta para pagar no final do mês.... E com p*rras alguém pode estudar CHAPADO DE ERVA? Não admira que ninguém passa na OAB depois.

Num golpe de observação digno de Dr. House, o Matias percebe que o moleque que se parece com...com... ah, com um moleque despenteado, é mais cego que o Mr. Magoo e resolve providenciar óculos para a pequena toupeira, e tendo o primeiro ato inteligente desde o começo do filme, resolve vazar quando da de cara com uns manos do movimento que tem “Consciência social” numa mão e belas AK 47 na outra. Os maconheiros riquinhos mostram que além de bons consumidores da Ganja e aspiradores do pó que o Maradona gosta, também fazem a distribuição do B.O. para os outros maconheiros da facu com a providencial ajuda do carinha do Xerox. Acho que deve ser alguma tentativa de socializar a larica entre os povos, sei lá... Aliás, estou me sentindo um E.T por ter ido 5 anos na faculdade e realmente estudado. Acho que é porque eu não tinha grana pro baseado, ou porque eu li direito penal demais e realmente acredito que mesmo um peguinha ainda é crime uma vez que não em lembro de ter lido por aí que descriminalizaram alguma droga. Mas também, com o Aderbal do Zorra total como professor, não da pra esperar muito dessa faculdade.

Uma cena de invasão e a primeira cena de tortura do filme com famosos tapas na orelha, deve doer fazer este tipo de cena. Fico pensando como seria o teste de elenco pra uma papel desses. Você chega no estúdio, tem um octógono e um lutador de Jiu Jitsu te esperando. 

Cena de discussão na sala de aula pra mostrar que o Matias é um Bundão. Totalmente desnecessária uma vez que eu já sabia disso. A única coisa acrescentada pela cena é que só tem mala na classe.
Descobre-se que o moleque fogueteiro que dedou os traficantes no morro foi desta pra melhor (Pausa pra dizer “é meeeesmo???”) e o BOPE topa dar uma de coveiro e fazer o traslado do presunto. Mas não agora. Já, já.

Meio filme após constatarmos a frouxidão do Matias, somos apresentados à história do Neto, que estava se f#dendo na oficina porque aquelas viaturas ximbicas estavam quebradas e não tinha peça. Interessante o Acra falando “Disco de freio” e apontando pro local onde fica o câmbio. Já o outro quer ver se o carro tem carburador ou injeção eletrônica, pelo barulho do motor (Que não muda sendo um ou outro). Após contatar que um motor foi trocado, ele vai falar com um Capitão Picareta (Que não é o Nascimento), e eu não sei porque, mas me deu vontade de dar uma pancada naquele capitão, não porque o ator é tão bom ou tão ruim que me tirou do sério, mas sim porque eu sei que tem um monte de tipo como aquele pelas policias Brasil afora...

Explicação detalhada sobre a corrupção na policia, no estado e no sistema. Nada que não soubéssemos, mas jogado assim na cara de maneira visual e didática ainda choca um pouco mesmo a mim que não sou lá muito ingênuo e nem acredito tanto assim em nossa sociedade. Destaque para aquele capitão (Oliveira) FDP. A Pegação é tão forte que até os próprios policiais mais cedo ou mais tarde tomam algum toco. Caraca. To prestando concurso PRA ISSO? Desse jeito acabo abraçando pedra também, que nem o Nascimento ou fazendo serviço à toa e tomando comida de rabo que nem o Matias.



Nascimento vai se consultar com uma renomada proctologista para saber se seu suadouro é algum tipo de fixação anal, já que ultimamente ele só faz cagada, mas acaba constatando que é efeito colateral da porcaria de vida que ele leva. O jeito é passar a jaca pra algum prego...

...que surgiria da sequência de fatos que vem a seguir. O estudioso é o Matias, mas quem bola um plano pra sair da oficina é o Neto, logo se vê que não podia dar certo mesmo. A cagada, digo, o plano consistia em dar um migué no comandante, pegar a propina dele e comprar peças com a grana. E deu certo. Mas como já dizia Newton toda ação tem uma reação, que nesse caso veio na forma de a)Matias na cozinha; b)Neto continuou na oficina e sem um mecânico ; c)Fabio, embora não tenha nada a ver com o peixe, foi mandado pra virar recheio de caixão, mas Matias e Neto foram lá salva-lo o que nos leva ao tiroteio inicial do filme, em uma espécie de emulação de roteiro não seqüencial do Tarantino (Pulp Fiction, lembra?).
 
Aliás , que saco é resenhar filme não seqüencial. Fica difícil fazer este texto ficar coerente. Da próxima vez baixo um filme dos Trapalhões e pronto.

Este tiroteio é uma baita coincidência uma vez que a execução do Fábio iria acontecer perto morro na qual o fogueteiro morreu e na mesma hora em que o BOPE estava indo lá buscar o corpo(E botando uns presuntos na conta do Papa. Sorte do Fábio do Matias e do Neto e azar do traficante que o BOPE estava torturando, aliás, incrível como os policiais que subiram com o Fábio parecem mais bandidos até que os traficantes enquanto que o comandante do batalhão parece mais com um mafioso que o Don Corleone... Se a idéia original era fazer um filme imparcial para com a policia, lamento, mas não deu certo. Estou com medo até de guarda de trânsito.

Após gastar a munição de metade do Rio de Janeiro (O que dá uns três meses do consumo de Bagdá), tanto Neto quanto Matias resolveram encarar a pemba de entrar pro BOPE, e pra isso teriam de sobreviver à clássica seqüência de treinamento estilo Rocky Balboa, onde os homens são separados dos meninos e os Emos Miguxos dos Blogueiros casca grossa. Entre tomar um tapa na cara aqui e segurar uma granada armada ali, comer lavagem acolá e levar pancada em todos os lugares do corpo, eles sobreviveram ao curso e saíram da vida pra virar caveira, mas sem ter morrido antes. Como todo mundo já assistiu o filme ou pelo menos a cena do treinamento pelo Youtube, nem vou me dar ao trabalho de descrevê-la.

Mas antes disso, o dono do morro botou a consciência social no bolso e resolveu comer bundas quando descobriu que o Matias era policial, ao passo que o próprio Matias não vai mais comer ninguém, já que sua mina ficou brava exatamente porque ele é policial. Vida dura essa... E já que não vai rolar cena de sexo mesmo, toca voltar pro curso e presenciar aulas de rapel e comidas de rabo do Nascimento. Não necessariamente nessa ordem. O treinamento desemboca em uma cena de tiroteio onde o Neto mostra que é um P*ta cabeça oca e leva na cara a famosa frase “Tira essa roupa preta que tu não caveira! Tu é muleque!” seguido de mais um tapão bem dado. A isso se segue uma cena de discussão tão chata que eu adiantei o filme.
Agora o Matias virou macho e resolveu marcar a entrega dos óculos do pivete cegueta no morro, e agora ele não é mais homem de pedir por favor. Impressionante a injeção de auto estima que o curso do BOPE dá nos caras. Se o Bambi tivesse entrado pra esse curso, ia sair chutando a bunda do caçador sem dó nem piedade. F#dástica a coisa. Lógico de que preyba ia dar com a língua nos dentes pro dono do morro, que sabe como pedir informações com jeitinho. Se tem características que realmente se destacam em traficantes cariocas é o português impecável, a paciência chinesa, e claro, o armamento pesado.

Por razões que só um roteiro acochambrado para levar a história pra frente pode conceber, o Neto vai no lugar do Matias, entrega os óculos e leva de troco dois tiros nas costas. O traficante metido a f#dão dá uma afinada quando vê que o cara não é o Puro Osso, mas é Caveira, e ainda tenta socorrer, mas nem deu... O dono do morro foi pra alça de mira, mas antes de partir resolveu que consciência social não ia adiantar muito pra um morto, e sapecou o pessoal da ONG (Até agora não entendi o porquê). A parada é violenta, mas convenhamos, tu ficaria no morro depois daquela primeira intimada do Baiano? Eu não ficaria. 

Não pude deixar de notar quo o Cap. Chuck Norris da uma intimada em sua mulher como se ela fosse um aspira em treinamento. Espero sinceramente que ele não faça no com os aspiras o mesmo que faz com a esposa na intimidade. Sacumé... trata a esposa como aspira, não custa muito pra se confundir e tratar os aspiras como esposa. Alias, até seria bom, pois muito mais gente pediria pra sair. O ruim é que o pessoal que ficasse ia cair mais pro lado do Village People que por lado do BOPE, se é que você me entende.

Após a morte do Neto, o pessoal do BOPE resolve arrochar e sai por ai mostrando pra meio mundo como é o mundo dentro do saco. Quem não é ensacado é perfurado, socado, estrunchado e quase estuprado por um cabo de vassoura. Aliás, percebi que o BOPE faz muita missão à noite. Será que os caras ganham hora extra ou é 12 por 36 mesmo? 

Terminando o ciclo de escalada de Macheza do Matias, ela sai dando pescotapas em passeatas, e segundo o Cap. Chuck, se tornando “Um policial de verdade”. Acho que o termo “Sociopata” mudou de nome. Até eu fiquei com medo do cara. O Matias virou um NERD FROM HELL que dá cuecão em quem quer que cruze seu caminho, e nessas vai rolando mais pancada, mais invasão no morro, mais tiro, mais ameaças de homicídio, mais tapa na orelha, etc. Na cena do carinha que entrega o Baiano, assim que colocam ele no saco, rola um corte e se percebe que o cara tomou MUITA pancada. Mas nem mesmo a maior tenacidade da força de vontade pode resistir a um estupro iminente com um cabo de vassoura velha. Vai –se a dignidade e a confiança, mas ficam as pregas.



O tiro no comparsa do Baiano me rendeu um pulo na cadeira tão grande que eu quase caí pela janela. Foi mais difícil achar o Baiano que acertar um teco nele. Uma vez que o Baiano é meio assim como o chefão final de um jogo de videogame, pensei que seria mais difícil derrubá-lo. Vou assistir depois um filme do 007 só pra me lembrar como é um vilão que dá trabalho pra ser morto. Dizer “Na cara não pra não estragar o velório” após matar o amigo dos policiais era o mesmo que dizer “Aqui, bem no meio do meu nariz por favor, e com a maior arma que tiver”.

Não entendi ainda o conceiro de “Digno” do Cap. Nascimento, pra ele digno é quem da tiro na cara de sujeitos caídos? Não que o baiano não merecesse, mas p*rra, isso não é critério de escolha de sucessor. Se o Roberto Justus tivesse usados os critérios do Cap. Nascimento, “O Aprendiz” teria terminado com um ataque à casa branca seguido da explosão de um asilo.

De tudo que vi em “Tropa de Elite” e em “Cidade de Deus” restou um conceito que prevalece sobre todas as discussões, debates e filosofias...

Os Cariocas que me desculpem, mas se puder evitar, eu não vou nem f*dendo pro Rio de Janeiro nunca na vida.Se alguém me mandar pra lá, eu peço pra sair na hora.

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