domingo, 10 de outubro de 2010

CBX 750



Gostou? Eu andei em uma igual.


Enfim, o dia de pilotar uma Sete Galo chegou. Estava eu aguardando o desempenamento do disco de minha Sahara (Que foi empenado em um ato de extrema imbecilidade, quando eu esqueci a trava no disco), e como aquilo ia demorar e eu não tinha nada pra fazer, resolvo andar pelas lojas da vizinhança vendo as motos e seus preços. Por coincidência. A loja onde compro motos fica ali por perto. Assim, acabei passando por lá. Ao chegar, começo a olhar as motos... É uma CB 500 por aqui, uma Falcon por ali e... KCT! Tem uma Galo na Loja! Após um breve diálogo, fico sabendo que a mesma é ano 89, e está cotada (Na loja) em R$ 16.000,00. Um assalto, já que a média de preços dessa moto gira entre 12 e 13 mil em bom estado. Tentei descobrir o porque de o Lojista querer quatro mil reais a mais, mas o que vi não explicava nada: Escapamento (4 em 1) enferrujado e remendado, pintura muito mais ou menos e algumas peças soltas (Sim, você não leu errado!) pneu traseiro não exatamente em bom estado... E vai por aí.

Eu não costumo andar em motos que não vou comprar, mas nesse caso, como eu estava diante daquela que é chamada de “Moto do século”, decidir parar de agir como se fosse Dexter Morgan e rompi meu código de honra. Dei uma de Migué que ia comprar a moto (Sim, eu tenho cara de idiota suficiente pro cara da loja achar que eu pagaria 16 contos em uma moto mais pra lá do que pra cá), e pedi test drive. Afinal, um dia eu pretendo comprar uma dessas, então não era uma completa mentira.

Enquanto o cara manobrava o mamute pra fora da loja, uma luzinha ficada acendendo e apagando em minha mente : Eu vou andar de Galo, Eu vou andar de Galo, Eu vou andar de Galo... Após esperar o cara pegar o documento da moto e um capacete San Marino Ridículo, (Eu não estava com o meu) vou eu sair com o tanque de guerra...

Como vocês podem ver, estou usando sinônimos superlativos como “mamute” e “Tanque de guerra” para me referir à moto, porque é exatamente isso que ela me passou. Algo enorme, pesadão e poderoso. Vou me aprofundar mais nas características da moto a seguir.

Cabe citar que meu ponto de referência para medir a Galo são as sensações que tive nas outras motos grandes que pilotei  (CB 600 Hornet e Suzuki 750 Four ano 81), portanto, é totalmente subjetivo. Mas como este é meu blog, e você o esta lendo, imagino que minhas opiniões interessem a você. Como pilotei a Suzuki a alguns anos (lá pra 2006), provavelmente me pautarei mais na experiência com a Hornet como comparativo. Também usarei como contraponto, a minha Sahara atual, porque é a moto que mais andei este ano, então, minha tendência é comparar tudo com ela. Vamos lá.

O primeiro problema que percebi, foi que o manete de embreagem da Galo estava torto, o que exigia um esforço extra na troca de marchas. Parar com a embreagem apertada era praticamente um exercício de força bruta. Isso já deturpou um pouco o prazer de pilotar o “Canhão”. Pra ajudar, estava uma garoinha nojenta (Adoro este termo), e trânsito. Eu estava com um cagaço brutal de soltar a embreagem, tirar o pé do chão e me estabacar feito uma Jaca Manteiga.  Sempre que piloto pela primeira vez uma moto alta ou pesada eu tenho isso, vide o teste da Hornet . O medo de alguém enfiar um trezoitão na minha cara, também estava presente e faceiro, assim como quando testei a Hornet.

Andou, equilibrou, pronto! Daí a grande maioria das motos é muito parecida. Se não olhar pra baixo e esquecer o ronco do motorzão e a puxada ignorante, dá até pra confundir a Galo com a Minha Sahara, já que com o Guidão modificado da minha, a posição de pilotagem é semelhante. Aliás, como a Galo é bem baixa, depois que ela anda, a sensação de domínio é maior que com a Sahara. Exceto pelas pedaleiras que pela posição, me lembraram muito uma Comet 250 que pilotei. O Cotovelo e o joelho ficam muito perto, mas como a Galo é compridona, os braços ficam mais esticados, e ameniza um pouco a sensação de estar pilotando a Moto do Black Kamen Rider.

De primeira marcha, não tive nenhuma sensação abrasadora, ja que o maldito trânsito estava travado. Mas pude perceber que a Galo é estável e bem equilibrada, podendo passar em corredores que minha Sahara não passa. Aliás, foi surpreendente notar que a carenagem dianteira da Galo é mais fina que a  da Sahara. Seu guidão também é mais fino. Assim pode-se fazer corredor no trânsito muito mais fácil com a Galo do que com a Sahara ou a Hornet . Provavelmente a Hornet também seria ótima de corredor, devido ao seu porte de Twister, mas como seu guidão fica na altura dos retrovisores dos carros, ela também perde no quesito “Vamos colocar um baú e virar o motoboy mais rápido do planeta”.  Felizmente, nenhuma delas foi feita pra isso.

Olhando de relance o painel da Galo, (Ja que com esse trânsito não da pra olhar pra outro lugar que não o babaca lento na sua frente), eu pude perceber que além de ter muitas informações (Como amperímetro e nível de combustível), ele fica láááá longe... O enorme tanque faz com que o painel fique tão longe do piloto que mais parece que o painel é de outra moto, parada na frente da sua, Ou que você está andando na garupa da propria moto que está pilotando. Foi uma surpresa ver que o contagiros funcionava, e foi outra surpresa ver que a apenas 3.500 RPM eu ja estava a 80 por hora. Realmente, essa usina tem gás  pra queimar.

Uma coisa curiosa, foi que me senti chamando bem menos atenção que quando andei de Hornet. O que é bem estranho, já que a CBX 750 com cano 4 por 1 costuma ser mais chamativo que um desfile de carnaval, com gente pelada e de cueca na cabeças às 3 da madrugada de um dia de Setembro em pleno Rio Grande do Sul. Vou creditar o aparente “Anonimato”, da Galo ao péssimo tempo, que fez com que houvesse menos gente na rua, e os poucos que sobrassem (Eu incluso) estivessem ansiosos por voltar pra casa, só prenstando atenção ao caminho ou ao busão que estava chegando no ponto.

Quanto ao ronco, não há o que falar mesmo. O bagulho tem poder. Imagino que no apocalipse biblico, quando os anjos descem à terra com suas espadas de fogo, ele estão montados em CBX 750 e seu ronco anuncia o prenúncio do dia do julgamento.  Presumo eu, que nos textos bíblicos, a Galo e seu ronco só não foram citados (Foram trocados por trombetas na revisão final do texto) porque isso ia indicar claramente que o Apocalipse seria após a Honda lançar o motor de 750 cilindradas, e aí ia ser fácil presumir que o fim dos tempos só se daria após o lançamento da Galo. Aliás, verdade seja dita, após este motor, o mundo pode acabar mesmo, porque ronco com essa moral ninguém mais consegue. O bagulho faz Hayabusa soar como moedor de cana. Não vou tirar a razão de quem compra esta moto por causa do ronco. Já vi gente gastando muita grana com coisa bem menos importante e empolgante, como por exemplo: Casamento ou filhos.

Agora vem aparte ruim. Não é que eu não tenha gostado da CBX 750. É que eu não gostei DESSA CBX 750 em particular, porque estava meio zoada. Uma pequena lista de problemas da maquina: Além do ja citado manete torto (Sinal claro de tombo), tinha um barulho na parte de baixo. Aliás, vários. Sempre que eu passava em um buraco, tinha a impressão que a moto ia desmontar. O Pneu não muito bom atrás também me proporcionou emoções indesejáveis quando entrou em conchavo com a garoa e resolveu começar a sambar a traseira da moto. Em um veículo leve, isso é desagradável. Em uma Galo, é um convite para um infarto. Pelo menos metade do “passeio” foi dado com total falta de confiança na moto e nas suas reações, e com o fiofó tão trancado que a pressão quase gerou um buraco negro (inclua a piada ou trocadilho que quiser aqui). Não parecia eu que estava pilotando a moto nas sim a moto que estava me pilotando. Era um medo de tomar um rola tão grande que eu até cancelei a excursão pras noites de terror do Playcenter. Já tive terror suficiente pra esse ano.

Os freios são bons. Seriam até melhores se houvesse pneu pra companhar. Mas infelizmente no meu caso não havia. Assim, cada frenagem tornou-se uma operação de precisão tão grande que faria um lapidador de diamantes profissional parecer um portador de mal de parkinson em um terremoto no Haiti. Qualquer erro poderia me custar 16 contos, e acho que não tenho mais saúde pra perder tanta grana em nada que não seja poker e prostitutas.

CONCLUSÃO: Eu gostei de muitos aspectos da 7 Galo como a puxada e o ronco, mas isso é chover no molhado, afinal todo mundo gosta. Agora, comparada com a Hornet que pilotei, senti falta daquela sensação de “moto na mão”. Não parecia que a galo ia fazer exatamente o que eu queria que ela fizesse. Era mais como deitar em uma curva e esperar a providência divina gerando aderência onde ela não existia. No teste da Hornet, fiz questão de frisar que ela era muito parecida com uma Twister. Ja a 7 Galo não tem nada que eu possa comparar, sei lá... Talvez um carrinho de montanha russa, onde você sabe que esta tudo sobre controle, mas mesmo assim, se caga de medo a cada curva.

Assim, penso eu que quem gosta de uma moto mais “Na mão” não deve optar por uma Galo. Não é uma questão de idade da moto, não é uma questão de "modernidade", nem nada assim. É somente uma questão de se sentir bem em cima da moto que esta pilotando. E se eu vou pagar 16 contos ou mais, é o mínimo que posso querer.

Mas ainda não vou tomar nenhuma conclusão sobre minha proxima moto.

Primeiro, preciso dar um jeito de andar numa GSX 750 Four. Depois eu decido o resto.
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